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Núcleo de direitos humanos e cidadania LGBTQIA+

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Dossiê: assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025, publicado pela Antra

— 29 de janeiro de 2026

O capítulo “A produção de saberes e o conhecimento colaborativo: movimentos sociais, pesquisa e políticas de reparação”, escrito por Marco Aurélio Máximo Prado e Igor Ramon Lopes Monteiro, do Nuh/UFMG, discute como a produção de conhecimento sobre pessoas trans e travestis tem sido um campo de disputa contra o monopólio da autoridade sobre os dados. Os autores argumentam que os movimentos sociais, em conjunto com pesquisadores, contestam a lógica do “dado absoluto” e da neutralidade científica, consolidando o campo de estudos de gênero e sexualidade por meio de uma relação colaborativa e, por vezes, tensionada entre ativismo, academia e Estado. Esse processo é fundamental para integrar saberes experienciais e epistemologias marginais, transformando a informação em uma ferramenta de transformação social e política.

O texto destaca a urgência da justiça epistêmica, defendendo que travestis e transexuais devem estar no centro da elaboração e avaliação de políticas de inclusão, atuando como coconstrutoras de narrativas estatísticas e qualitativas. Um exemplo prático dessa rede de colaboração é observado em Minas Gerais a partir de 2019, quando o esforço conjunto entre o Nuh/UFMG, a ANTRA e instituições estatais de segurança resultou em uma redução significativa das discrepâncias nos números de letalidade trans. Essa convergência de dados não é apenas um acerto estatístico, mas um avanço na legitimidade das informações oficiais e na capacidade de mobilização da sociedade civil para exigir visibilidade para sua realidade.

Por fim, os autores propõem o fortalecimento de uma universidade crítica, capaz de reconhecer que não detém o monopólio do saber e de dialogar com sabedorias que circulam fora dos muros acadêmicos. O artigo denuncia que a histórica “ausência” de dados governamentais sobre a população trans é, na verdade, um ato político de invisibilização que molda a percepção sobre quais vidas são dignas de registro e proteção estatal. Assim, o debate sobre políticas de reparação, como as cotas trans, deve superar a lógica da escassez e da prova da dor, afirmando a abundância política e a reconfiguração dos espaços de prestígio para corpos historicamente excluídos.

Você pode ler o artigo “A produção de saberes e o conhecimento colaborativo: movimentos sociais, pesquisa e políticas de reparação” por Marco Aurélio Máximo Prado e Igor Ramon Lopes Monteiro baixando o documento clicando aqui, ou visitando a página <https://antrabrasil.org/assassinatos/>.

Produção científica ciência, justiça epistêmica, nuh, Pesquisa, transexuais, travestis, ufmg

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