Entrevista com Igor Monteiro, mestrando em Psicologia UFMG e pesquisador do NUH – UFMG.
O Ciclo de Debates do Nuh é uma ação de extensão universitária voltada à discussão de temas ligados ao campo das relações de gênero e sexualidades. É um evento mensal, de livre participação, que visa fomentar o debate e a troca de ideias entre pesquisadores, pesquisadoras, representantes de órgãos governamentais, representantes de ONG’s, ativistas de movimentos sociais e a sociedade civil.
Durante o sexto Ciclo de Debates do Nuh, realizado no dia 14 de março, no CentoeQuatro, as discussões giraram em torno do tema “O uso do nome social na escola e seus possíveis contornos democráticos”.Para compor a mesa desse evento, entre os convidados, contamos com a participação de Igor Monteiro, mestrando em Psicologia UFMG e pesquisador do NUH – UFMG, que foi entrevistado pela Proex/UFMG:
Proex: Qual foi o objetivo do evento?
Igor: Além da expansão do debate para fora da Universidade, um dos objetivos fundamentais do evento está em problematizar a regulação do gênero e da sexualidade como elementos impeditivos a determinados direitos e, portanto, como um obstáculo à efetivação de uma democracia em que a diversidade sexual tenha um lugar legítimo.
Proex: Qual importância do uso do nome social para transexuais e transgêneros?
Igor: A minha resposta, neste caso, é muito parcial. Aqui, seria preciso também ouvir as pessoas trans. Contudo, a meu ver, especialmente a partir do que tenho experenciado em discussões com o movimento de travestis e transexuais, a importância do nome social tem relação com o reconhecimento de uma identidade que não tem lugar social. No caso de boa parte das pessoas que transicionam seu gênero, o nome civil é incompatível com a forma como essas pessoas se reconhecem e desejam ser reconhecidas – ele é a marca de um gênero que essas pessoas não pretendem necessariamente manter. Nesse sentido, sobretudo quando estamos falando em acesso à políticas públicas, a garantia do nome social pode ser um instrumento que previne a violação de direitos.
Proex: Qual a importância para esse público e para a sociedade da implementação de leis que legitimem o nome social no ambiente escolar e em outros setores da sociedade?
Igor: Num plano que considero mais ideal, a importância de normativas que façam referência às diferentes identidades de gênero pode estar ligada a um processo de ampliação de quem consideramos sujeitos de direitos. No caso de travestis e transexuais, de maneira geral, essas pessoas nem sequer têm o direito de utilizar um nome que não lhes cause danos.
Matéria publicada originalmente em Notícias da PROEX. 12 de mar. 2014. Disponível em: <https://www2.ufmg.br/proex/Noticias/Noticias/NUH-promove-debate-sobre-o-uso-do-nome-social>. Entrevistador William Campos Viegas, bolsista de Jornalismo da Assessoria de Comunicação da Proex/UFMG.